domingo, 28 de dezembro de 2008

Ela é uma pessoa de poucas palavras; a tagarela do dia-a-dia, mas a ouvinte das coisas sérias e importantes. Não é que ela só saiba falar besteira e não tenha o que dizer. É que ela é balança e, de cima do muro, ouve todos os argumentos até se convencer de algum. Não quer professar coisas que possa depois se arrepender, achar incorretas, criticar a si mesma, não quer. (Há quem diga que é prudência, há quem diga que tem medo de errar.)
O julgamento próprio é mais difícil de agüentar que o alheio. O alheio sempre pode ser rebatido com as desculpas da própria cabeça, os motivos infindos que ela pode criar. O próprio, já é dela, é sua base... como pode mudar?
Daí já não se sabe... seria mesmo ela balança, ou seria cabeça-dura e coração-pedra?
Os dois não pode ser... Cabeça-dura é difícil de mudar, e não entra em conversas que sabe que não ganha. Não adianta. Coração-pedra não aceita o outro.
Mas ela está mais pra coração-mole. Quer fazer de tudo pelo outro. Por princípio.
Diziam a ela que todo bem que se faz volta duas vezes pra você... mas que você deve fazer sem esperar retorno. Acho que ela está a esperar o duas vezes, mas não chegou nem um quarto ainda. Será que ela está mesmo fazendo o bem, então? Ou será essa sua realidade uma absurda, que acha que as coisas supérfluas e mesquinhas que faz, que acabam visando o próprio bem-estar (no fim das contas, seria, talvez), são o bem?
O que é realidade e o que é sonho?
Hoje ela sonhou que tudo acabou.
E que seus dentes quebraram.

E ela queria que dizer "Sonhei que meus dentes quebraram." tivesse a interpretação correta no seu interlocutor e ouvinte predileto. Mas ela sabe que talvez só conseguisse isso se ela fosse uma de suas prioridades. (desse ouvinte - e olhe lá. deve ser mesmo querer demais)
E ela sabe que não o é.

Não mais.

Aquilo acabou.
Será aquilo tudo?

Um comentário:

. disse...

a parte da fonte inspiradora desse turbilhao, me pareceu belo.

Sim, nao seu seu ouvinte predileto. Me fala pra compreensao, mas nao pra apreciaçao... que isso seja ao menos, aconchegante.

saudade-te!