As escolhas dessa vida...
Grandes e pequenas...
como as vzs a gnt acha que não é nada e muda tudo. E o que a gnt acha que vai mudar a vida inteira... não muda nada.
Tipo Turim. Que eu achei que fosse ser um parto.
Não que não tenha mudado nada. Não que não tenha me mudado.
Não que tenha sido fácil. Aliás, não foi nada perto de fácil.
Foi bem dolorido. Bem mais do que hoje ainda seja. Muito mais.
Não mudou nada? Claro que mudou.
Mas o que realmente importa continua aí.
Não digo que me esperando, porque o esperar, a esperança, mora mais em mim que em vocês.
E como mora. Amadureci, mas continuo verde. Verde, verde, verde, verde, verde...
Mas o que realmente importa...
São as pessoas. As pessoas importantes. E as minhas relações com elas.
Que serão as mesmas. É, as mesmas. Pra quem é de verdade, pro que é de verdade.
Pra quem sei que é pra sempre. Independentemente de quando, onde ou porquê.
Os que eu sei que me dão, se não o mesmo gigante valor que eu lhes dou, ao menos aquele que me faz feliz.
Os que eu chamo pra rirem comigo, e que vêm sem chamado quando eu preciso. Mesmo de longe.
Eu, pessoa do mundo?
Talvez um pouco menos da asa dos meus pais. Do mundo, ainda não.
E eu gosto. Dos meus cativos, dos verdadeiros.
Gosto de acreditar no futuro, no futuro das e com as pessoas que amo. E que me amam.
Acho que a gente vira cidadão do mundo quando o mundo nos dá motivos.
Senão... a gente quer conhecer o mundo, mas voltar pra casa.
E não é que casa seja uma arquitetura.
Não, dessa vez não estou defendendo nossa profissão.
Casa é um estado de espírito.
Como estava me sentindo em casa há meia hora e agora não estou mais. E nada tem a ver com as paredes verdes desse quarto.
Eu não tenho amores em Turim.
Talvez a proprietária da casa onde morava (e já não moro mais).
Talvez as plantinhas que tentei cultivar e não consegui.
Morreram e renasceram e morreram e nasceram outros amores meus.
Nenhum permamentemente em Turim.
E o que pertence a essa cidade não me pertence.
Claro que vou sentir saudades. Nem um pingo do que eu sinto daí.
Torino é linda, é história. Brasília é juventude, é esperança.
Eu tenho certeza absoluta que dias melhores virão.
...
Hum... as escolhas dessa vida...
Um dia eu resolvi ir ao cinema.
E no cinema eu perdi um amor significativo. E ganhei um que não significava nada.
E achei ter errado mais que tudo na vida. Caguei, caguei tudo.
Aí o que não significava, passou a significar tudo.
E significou mais que qualquer coisa.
E foi meu anjo e meu sustento.
E também causa das minhas maiores e mais insuportáveis dores.
Também culpado, possivelmente, do maior número de meus sorrisos.
E de quando em quando eu me pergunto... o que teria acontecido se tivesse pego uma gripe naquele dia.
...
As escolhas dessa vida...
Uma vez eu entendi errado o que um amor me disse.
E briguei tão feio, como jamais na vida tinha brigado com ele.
E a gente só tinha brigado uma vez na vida.
Mas eu sabia que essa briga não era nada. Que a gente ia ser sempre sempre igual.
Mas ele não sabia. E me disse ter se corroído por dentro de tanta dor, por termos estragado o que éramos.
E eu chorei por dentro e por fora quando ele me disse.
E lhe disse: nunca mais pense isso. Nada nunca vai afetar esse amor.
E eu sei que é verdade, e eu escolhi isso há mais de 15 anos.
...
Outra vez um amor entendeu errado o meu silêncio.
Foi ele que acreditou que ia ser sempre tudo igual.
E me deixou deixar meu amor morrer.
...
Uma vez um meu amor me disse que eu devia ficar longe.
E me doeu tanto, que eu chorei como uma criança sem colo.
E aí ele me disse que ele me queria perto mais que qualquer um.
Que ele achava que o longe era o melhor pra mim.
Mas eu quis o perto.
E tô voltando.
Porque a vida em Turim é linda, interessante, de muito aprendizado.
Mas é meio perdida, sem amor.
Talvez seja só uma fadinha preta (essa fica pra uma próxima explicação)...
Mas em Brasília não tem fada ruim não.
Talvez eu tenha escolhido errado em vir pra Turim.
Talvez agora eu tenha a chance de voltar pra casa como voltando no tempo.
Talvez não.
Todo mundo casou, mudou, formou, bombou, estagiou, namorou, separou.
Eu parei. No tempo.
Buraco negro.
Tic tac, tic tac. Meu relógio só gira no Brasil.
Aqui, a bateria acabou. E aí eu comprei outro, mas ele gira no tempo daqui. tsc tsc... gira errado.
...
Eu admito.
Eu não escolho meus amigos a dedo.
Talvez eles que me escolham, ao conseguir me fazer largar a timidez, e começar a bobeira.
Talvez eles que me ganhem, fazendo sair uma gargalhada ecoante da minha "cara de mau".
"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
Errou, poetinha, na denominação.
Quem mais eu poderia chamar de amores, se não meus amigos?
...
Eu admito.
Esse blog existe pra me fazer suportar a dor.
E eu cuspo nele o que eu sinto, de preferência pra ninguém entender.
Cuspo fingindo que está nas entrelinhas.
Cuspo dizendo que qualquer um pode saber, é só prestar atenção.
Talvez os dias dele estejam chegando ao fim.
Talvez eu comece a soprar nos ouvidos alheios o que eu escrevo aqui.
Se eu tiver aprendido algo com a vida.
Senão... posso continuar guardando e sofrendo sozinha. Pq, já me disseram, eu gosto de sofrer.
E deve ser, então, por isso que escolho o que escolho. Até inconscientemente.
Ou então eu só não aprendi a me desvencilhar das escolhas erradas.
Ou só não aprendi que eu não sei ser se for só.
Eu não sei ser se for só.
Quer vir comigo?
(e chega. já cuspi tanto que estou sem saliva.
prontofalei.
beijotátchau!)